Dois dos conceitos mais mal compreendidos na Torá são os de tumá e tahará, traduzidos como "impuro" e "puro". Eles freqüentemente evocam reações negativas, no entanto, ambos referem-se a planos espirituais e não físicos.
As leis referentes à tumá e tahará pertencem à categoria dos mandamentos para os quais não se fornecem motivos; são supra-racionais, "acima" da razão, além do que o próprio intelecto pode apreender. E é precisamente porque elas são de tão alto nível espiritual que transcendem completamente a razão.
Que propósito a impureza pode ter na Criação?"O Onipotente criou uma coisa em oposição à outra", conta-nos o livro de Eclesiastes (7:14) e segundo a interpretação da Chassidut, tudo no campo de kedushá tem a sua contrapartida no profano. Por um lado, essas regiões opostas são criadas a fim de que possamos ter "livre arbítrio" no nosso comportamento.
Num nível mais profundo, quando rejeitamos o mal e escolhemos o bem e, mais ainda, quando transformamos o próprio mal em bem, efetuamos uma elevação não só em nós mesmos, mas no mundo inteiro, elevando-o para mais perto da última perfeição. Daí, no enfoque mais profundo, o propósito final de tumá, do "outro lado", é que atinjamos os níveis mais elevados. A ocultação é apenas externa; como diz o conhecido dito chassídico: "Toda descida objetiva uma ascenção maior". E toda ocultação de D'us, todos os aparentes obstáculos, são para a finalidade de uma revelação maior.
Quando a alma desce a este mundo para se envolver num corpo material, ela sofre uma descida incomparável à sua existência anterior puramente espiritual. O próposito dessa descida, porém, é para que a alma possa subir ainda mais alto na sua apreensão de D'us e atingir uma hierarquia ainda mais elevada do que possuia antes de descer para este mundo. Ela pode alcançar essa elevação somente através do veículo do corpo e do serviço de D'us neste mundo físico e interior. Assim por um lado existe mais ocultação e mais impureza no mundo material; por outro lado, somente através das lutas aqui a alma será capaz de subir mais alto.
Sono e vigilância
Tomemos um ciclo - a alternância cotidiana do sono e da vigília. De acordo com a lei judaica, cada pessoa, ao acordar, deve lavar as mãos para remover o "espírito de impureza" que adere a elas durante o sono. Quando dormimos, há um"afastamento de kedushá do corpo" - enquanto a alma "ascende à sua Fonte", em cima. Novamente, esse "rebaixamento natural" permite que a "impureza" se instale. Nossas mãos estão em estado de tumá ao acordarmos, mas elas não estão "más". O mesmo vale para tumá durante o ciclo mensal da mulher. É o resultado de um certo afastamento da kedushá, mas não é um estado de degradação ou de inferioridade.
O Rebe oferecia uma compreensão ainda mais profunda da natureza interior dessas descidas. Segundo ele, desde que a descida é de fato uma preparação necessária para a ascenção e seu propósito final é a elevação - a descida nada mais é do que uma parte da própria subida. Por fora tem a aparência de uma descida; por dentro, ela é realmente um aspecto de ascenção.
- As mãos estão em constante movimento (mesmo durante o sono) e provavelmente quando a pessoa dorme, elas estavam em contato também com as partes cobertas do corpo. O Talmud implica remover - o espírito maligno da impureza - que paira sobre as mãos. Os livros cabalísticos explicam que durante o sono a alma da pessoa desvincula-se do corpo quase na sua totalidade - a ponto de nossos sábios dizerem que o sono representa 1/60 da morte - e eleva-se à sua Fonte-Matriz, quando presta contas e dá um relatório de seus atos naquele dia. Assim, também neste período a alma recarrega sua energia, o que possibilita a pessoa acordar revigorada e disposta.
Durante esta fase de elevação do espírito, o corpo permanece "semi-vazio" e este vácuo, causado pela ausência da alma Divina, possibilita e atrai elementos impuros ao corpo. Ao despertar, quando a alma volta a revestir-se no corpo e preenchê-lo, estes elementos impuros cedem o lugar e desaparecem, permanecendo apenas nos dedos das mãos.
Há algumas opiniões que dizem ser o sono o causador deste processo, enquanto outras determinam que a própria noite desencadeia este fato.
Num nível mais profundo, quando rejeitamos o mal e escolhemos o bem e, mais ainda, quando transformamos o próprio mal em bem, efetuamos uma elevação não só em nós mesmos, mas no mundo inteiro, elevando-o para mais perto da última perfeição.
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