quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Corpos Sagrados

Nosso corpo é sagrado e assim deve ser tratado.

Vemos isso especialmente no corpo de uma mulher, que abriga fisicamente o corpo e alma de um bebê, e espiritualmente abriga a família inteira, pois se diz que "Beito zu ishto", a esposa de um homem é sua casa, que ele vive dentro dela, pois ela contém todos dentro de si. Não é que a mulher esteja na casa, a mulher é a casa.

Segundo a Torá, cada pessoa é formada de corpo e alma, ambos sagrados, ambos Divinos. Nossa alma é uma "Chelek Eloka M'mal Mamash" (Tanya, cap. 2, baseado em Job), uma parte do próprio D'us. Nosso corpo é um veículo através do qual a Divindade pode ser vista, "Mi'basari Echeze Eloka", "Com minha carne eu visualizo D'us" (Job, 19:26).


: "Ani Hashem Rofecha" – "Eu sou D'us, aquele que te cura."

Isso é para nos mostrar que tentar curar e fortalecer nossa alma sempre terá um efeito positivo sobre o nosso corpo. E mesmo quando não estamos doentes, é como uma medida preventiva, elevando nossa imunidade espiritual e nos mantendo sadios, para ficarmos muito mais fortes se enfrentarmos um desafio físico. E vemos claramente também por outro lado: quando estamos cuidando de nós mesmos, quando nos sentimos sadios e fortes, estamos muito mais preparados para enfrentar dificuldades emocionais ou espirituais do que quando nos sentimos fracos e desmoronando

A Torá é muito clara ao declarar que nosso corpo não nos pertence. A casa que recebemos para nossa alma é um presente. Como o corpo é nosso por empréstimo, devemos cuidar dele para que possamos devolvê-lo na condição em que nos foi entregue.

Nosso corpo é sagrado e assim deve ser tratado.
Está claro que se desejamos ser capazes de cumprir os mandamentos, cuidar de nós mesmos, nossos filhos e nossa família, precisamos ser tão saudáveis quanto possível para fazermos isso. Precisamos ter certeza de que temos aquilo que precisamos para poder dá-lo aos outros.
E embora possamos ver isso mais diretamente com as mulheres, isso não se aplica somente a elas. Embora as mulheres possam ser fisicamente abençoadas com a capacidade de criar, todos temos esta incumbência sobre nós como mandamento. Ser frutífero e multiplicar-se é ser criativo, e criar, em hebraico a palavra "bará", está etimologicamente conectada com a palavra "barih", sadio. Quando criamos, quando somos produtivos, então nos sentimos saudáveis.


Temos a obrigação de nos manter saudáveis. Temos a obrigação de comer corretamente, fazer exercícios e assegurar que nosso corpo seja tratado de maneira adequada, Porém devemos sempre lembrar que nosso corpo não é uma mera concha física. É sagrado em si mesmo. É Divino em si mesmo. E é uma casa em si mesmo, para nossa alma, que se expressa através do corpo, e portanto não é tanto por nós mesmos que precisamos ser saudáveis, mas por todos aqueles ao nosso redor, a quem podemos ajudar e nos doar.

Portanto, devemos todos reconhecer a beleza e potencial tanto na nossa alma quanto no nosso corpo. Devemos ser “barí”, sadios, para que possamos ser “borê”, criativos, produtivos, e oferecer ao mundo o melhor que temos, da maneira individual e única que somente nós podemos contribuir.

"Nossos corpos são caixinhas de presentes que D'us nos deu para abrigarmos nossas almas"


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